Um dia, sentada em um ponto de ônibus, peguei-me a observar aquelas meninas iguais. Algumas com roupas diferentes, mas que não se diferiam em nada das outras. Paravam de carro em carro, geralmente em equipe, algumas com um sorriso no rosto, outras com expressão de frustração, e outra, a que me chamou mais atenção, com ar de desconfiança e timidez. Depois descobri que a mocinha desconfiada acabara de ser contratada, tímida por ser seu primeiro emprego e desconfiada, pois até então não conseguira "alcançar sua meta". As outras por sua vez não estranhavam, eram veteranas e já sabiam como funcionava. Quando o semáforo ficou vermelho para os motoristas, elas se uniam em pequenos grupos e seguiam em direção aos carros. Alguns motoristas demonstravam um desprezo tão grande que tratavam aquelas mulheres como se fossem mendigos ou pedintes, pois ao se aproximarem e estenderem suas mãos com os panfletos a quem representavam, só viam os vidros dos carros se fechando. Eles nem ao menos olhavam para o lado, com apenas um gesto retratavam aquele seco e ríspido não! Ainda a observar, percebi que ao ficar verde o semáforo, as veteranas ficavam felizes e eu não entendia a razão. Á essa altura já não me continha ali sentada, com muita curiosidade fui ao encontro delas e as questionei sobre a cena de felicidade que acabara de ver. Percebi que ao me aproximar elas ficaram com um pouco de receio, então as perguntei sobre a cena que me deixara intrigada, daí comecei a compreender quando uma delas me disse: "Será que pensam que somos rôbos uniformizados? Nem ao menos nos olham, não sabem de onde viemos e nem para onde vamos! Não enxergam o ser humano, apenas mais uma no farol!" Ao ouvir este desabafo comecei a questionar-me: Por que só enxergamos o que nos interessa? Por que não pensamos que somos iguais? Todos! Apenas seres humanos!
Um comentário:
Renata amei esse texto.
Sera que não nos comportamos como "robos"??
Bjos Dulce
Postar um comentário